Hubert-Félix Thiéfaine — Portrait de femme en 1922 letra e tradução
A página contém a letra e a tradução em português da música "Portrait de femme en 1922" de Hubert-Félix Thiéfaine.
Letra
Je t’ai rencontrée une nuit
Au détour d’un chemin perdu
Qui ne conduisait nulle part
Où tu te tenais immobile
En équilibre sur un fil
Tendu au-dessus du hasard
Et lorsque je t’ai demandé
Qui tu étais, d’ou tu venais
Tu m’as répondu d’un regard:
«Tu sais, je n’suis qu’effluve
Et je reviens d’ailleurs…»
Plus tard dans un coin de bistrot
Devant un billard électrique
Tu m’as montre ta déchirure
Tu m’as dit d'étranges paroles
Qui volaient comme des chauves-souris
Au milieu de ta chevelure
Elles me parlaient d’inconnu
De mystérieux chemins cachés
Qui montaient au-delà des murs
D’un ténébreux voyage
Tu cherches au-delà des frontières
Un miroir ou un cœur ouvert
Pour y projeter tes fantasmes
Sautant d’une plate-forme d’autobus
Tu prends le premier train rapide
Pour Marseille ou pour Amsterdam
Juste une pièce dans un Taxiphone
Mon tendre amour ne m’attends pas
Ce soir je ne rentrerai pas
Et tu reprends ta route
Ton ténébreux voyage…
Un jour ou l’autre, tu reviens
Un peu comme au sortir d’un rêve
Dans l’inconscience du matin
Les traits tirés par la fatigue
La tête creuse, le regard vide
Tu ne sais plus ce qui se passe
Et tu ne comprends plus
Tu ne comprends plus rien
Le temps de te refaire les yeux
De prendre un bain et de m’aimer
Tu repenses à d’autres visages
Noyés au fond d’un verre d’alcool
Tu me demandes une cigarette
Et me dis d’un air un peu vague:
«Mon tendre amour, ne m’en veux pas
Tu sais je ne suis à personne
Demain il faut que je reparte»
Et tu reprends ta route
Ton ténébreux voyage…"
Tradução da letra
Conheci-te uma noite.
Ao virar de um caminho perdido
Que não conduzia a lado nenhum
Onde estavas parado
Equilibragem num fio
Esticada acima do acaso
E quando te perguntei
Quem você era, de onde veio
Respondeste-me com um olhar:
"Sabes, estou só a cheirar
E eu vou voltar, Já agora.…»
Mais tarde num canto do bistro
Em frente a uma mesa de bilhar elétrica
Mostraste-me a tua lágrima
Disseste-me palavras estranhas.
Voando como morcegos
No meio do teu cabelo
Estavam a falar comigo sobre o desconhecido.
Caminhos escondidos misteriosos
Que escalou para além das paredes
De uma viagem escura
Olhas para além das fronteiras
Um espelho ou um coração aberto
Para projectar as tuas fantasias
Saltar de uma plataforma de autocarro
Apanha o primeiro comboio rápido
Para Marselha ou Amesterdão
Apenas um quarto num Taxifone
O meu amor não está à minha espera
Esta noite não vou para casa.
E estás de volta ao teu caminho
Sua jornada escura…
Um dia ou outro, voltas
Um pouco como sair de um sonho
De manhã inconsciente
Características desenhadas pela fadiga
A cabeça oca, o olhar vazio
Já não sabes o que se passa.
E tu já não entendes
Já não percebes nada.
Está na hora de refazer os teus olhos.
Toma um banho e ama-me
Você pensa em outras caras
Afogou-se no fundo de um copo de álcool.
Estás a pedir-me um cigarro.
E diz-me num ar um pouco vago:
"Meu querido amor, não me culpes
Sabes, não sou de ninguém.
Amanhã tenho de ir.»
E estás de volta ao teu caminho
Sua jornada escura…"