Hubert-Félix Thiéfaine — La môme kaléïdoscope letra e tradução

A página contém a letra e a tradução em português da música "La môme kaléïdoscope" de Hubert-Félix Thiéfaine.

Letra

J’suis la môme kaléidoscope
Celle qui faisait son numéro
Tous les soirs devant le juke-box
Pour les beaux dollars des gogos
J’avais tous les macs à mes pieds
Et tous les clients qui lorgnaient
J'étais la reine du pavé
Et l’oseille, ça dégringolait
Mais l’ombre des plaisirs s’enfuit
Toujours plus loin vers l’inconnu
On m’a reléguée dans la nuit
Au milieu des vieux tas d’invendus
J’suis la môme kaléidoscope
C’est moi qu’j’faisais l’trottoir d’en face
Du temps ou j’avais dans l’carosse
Une chatte qu'était pas radada
Et je carburais du siphon
A détraquer tous les gavos
Qui v’naient s’faire graisser leur oignon
Avant d’replonger au boulot
Mais la brume est tombée trop vite
En oubliant les chats perdus
On m’a reléguée dans la nuit
Au milieu des vieux tas d’invendus
J’suis la môme kaléidoscope
J’avais des robes à 200 sacs
Et c'était pas dans du viandox
Qu’on pouvait m’voir planquer mon trac
J’en ai connu, des gigolos
Qu’en pinçaient maxi pour mes miches
Qui m’offraient la vie de château
Et le foie gras dans mes sandwiches
Mais les pavots se sont flétris
Dans les champs du dernier salut
On m’a reléguée dans la nuit
Au milieu des vieux tas d’invendus
J’suis la môme kaléidoscope
J’avais des actions dans l’bitume
Mais j’taillais même celle du clodo
Qu’avait jamais l’ombre d’une thune
J'étais la sainte-vierge des paumés
La p’tite infirmière des fantômes
J’racommodais les yeux crevés
J’rafistolais les chromosomes
Mais le passé n’a pas d’amis
Quand il vient lécher les statues
On m’a reléguée dans la nuit
Au milieu des vieux tas d’invendus
J’suis la môme kaléidoscope
Mais j’ai plus d’couleurs à la peau
Les mecs m’ont sucée jusqu'à l’os
Sans même me lâcher du magot
J’habite rue des amours lynchées
Et je peux voir, de mon grabat
D’autres mômes se faire défoncer
Pour des clopes ou de la coca
Tu peux venir là où je suis
L’ennui, c’est que je ne suis plus
On m’a reléguée dans la nuit
Au milieu des vieux tas d’invendus

Tradução da letra

Sou o miúdo do caleidoscópio.
A que estava a fazer o número dela.
Todas as noites em frente à jukebox
Pelos belos Dólares dos gogos
Tinha todos os macs aos meus pés.
E todos os clientes que espreitavam
Eu era a Rainha do pavimento
E sorrel, caiu
Mas a sombra dos prazeres foge
Ainda mais para o desconhecido
Fui relegado para a noite
No meio das velhas pilhas de coisas por vender
Sou o miúdo do caleidoscópio.
Eu é que estava a fazer o passeio do outro lado da rua.
Tempo que eu tinha na carosse
Uma rata que não era radada
E eu estava a abastecer o sifão.
Crazy all gavos
Que iam pôr a cebola lubrificada
Antes de voltares ao trabalho
Mas a neblina caiu muito depressa
Esquecendo os gatos perdidos
Fui relegado para a noite
No meio das velhas pilhas de coisas por vender
Sou o miúdo do caleidoscópio.
Tinha vestidos de 200 sacos.
E não foi em viandox.
Que podia ser visto a esconder o meu medo
Conheço gigolos.
Que estavam a beliscar o maxi pelos meus lombos
Que me ofereceu a vida do Castelo
E foie gras nas minhas sanduíches
Mas as papoilas murcharam
Nos campos da última salvação
Fui relegado para a noite
No meio das velhas pilhas de coisas por vender
Sou o miúdo do caleidoscópio.
Eu tinha ações em betume
Mas até estava a cortar o clodo.
Que nunca teve a sombra de uma Tuna
Eu era a Virgem dos perdidos
A pequena enfermeira fantasma
Estava a confortar os olhos perfurados.
Estava a arranjar os cromossomas.
Mas o passado não tem amigos.
Quando ele vem Lamber as estátuas
Fui relegado para a noite
No meio das velhas pilhas de coisas por vender
Sou o miúdo do caleidoscópio.
Mas tenho mais cores de pele
Os rapazes sugaram-me até ao osso.
Sem sequer deixar ir o magot
Eu vivo a Rue des amours lynchées
E posso ver, pelo meu grabat
Outras crianças a serem fodidas
Para cigarros ou coque
Podes vir onde eu estou.
O problema é que já não sou
Fui relegado para a noite
No meio das velhas pilhas de coisas por vender