Diego Vasallo y Roger Wolfe — Todas las noches letra e tradução

A página contém a letra e a tradução em português da música "Todas las noches" de Diego Vasallo y Roger Wolfe.

Letra

Noches leyendo a Dostoyevski mientras un temblor de moscas agita la suciedad de las bombillas.
Noches que te abrasan como un trago de absenta de garrafa.
Noches con amigos de nombre mgico y extrao, como Iribarren, Gaztambide.
Noches en que fumas demasiado y aun as no es suficiente.
Noches de Alicante en que te bebes la vida por el cuello de una botella de cerveza.
Noches de verano gijonesas, contemplando cmo el cielo se deshace en un delirio
de centellas rotas.
Noches en que el rostro de tu madre te sonre con la tristeza mansa de una flor
decapitada.
Noches que se llaman Gertrudis, Clotilde, Hermenegilda.
Noches de espanto y de resaca en habitaciones alquiladas, oyendo resoplidos de amor desesperado al otro lado del tabique.
Noches en que esnifas cocana en un espejo, para calmar la borrachera y el ansia
excesiva de la vida.
Noches en que lloras en retretes sin ventanas ni azulejos.
Noches de llamadas angustiadas a casas vacas donde el timbre de un telfono
reclama la presencia de otro cuerpo con el que compartir tu cobarda.
Noches hablando del sarcoma de Kaposi con tu sombra, en un caf vaco,
a las tres de la maana, mientras un camarero tuerto barre las colillas y bosteza.
Noches en que Dios o el fantasma redivivo de alguien entraable est al otro lado
de la mesa, y te pide un cigarrillo, y te recita un monlogo de Shakespeare.
Noches de sequa y de vinagre en que agonizas en el penltimo vagn de un tren a dos kilmetros de Almansa.
Noches en que la piel te arde como yesca en manos de un pirmano.
Noches en hoteles de Pars, espiando en la mirilla a la mujer de la limpieza,
que friega el suelo del pasillo y tararea una cancin de Alain Barrire junto a tu puerta.
Noches en que la brisa se remansa en las cortinas como un ptalo cansado y recorres los estantes buscando una edicin de El extranjero.
Noches en que se han fundido todas las farolas y alguien se desnuda lentamente
tras una ventana iluminada en el piso veintitrs de un rascacielos.
Noches en que trazas garabatos en servilletas de papel con una botella de ginebra, mientras Lou Reed canta «Quiero ser negro» y t le dices que tambin.
Noches en que clavas las rodillas en el suelo y sollozas por Pilatos
sentenciando a Jesucristo en esperanto.
Noches en que deshojas rosas muertas junto a un estanque en Aranjuez.
Noches de mujeres cuyos ojos iluminan la penumbra de los bares como smiles que
Raymond Chandler hubiera puesto en cuarentena.
Noches en que una histrica misericordia te sobrecoge la garganta,
y quisieras enjugarle las lgrimas a una virgen del Greco.
Y luego esa noche en que un ladrn se colar en tu casa para apretar una moneda
en tu puo que se cierra.

Tradução da letra

Noites lendo Dostoyevski enquanto um tremor de moscas agita a sujeira das lâmpadas.
Noites que te queimam como um gole de absinto de garrafa.
Noites com amigos de nome mgico e extrao, como Iribarren, Gaztambide.
Noites em que fumas demais e até ás não é suficiente.
Noites de Alicante em que você bebe a vida pelo pescoço de uma garrafa de cerveja.
Noites de Verão gijonesas, contemplando como o céu se desfaz em um delírio
de centelhas partidas.
Noites em que o rosto de sua mãe soa com a tristeza mansa de uma flor
decapitada.
Noites que são chamadas Gertrudes, Clotilde, Hermenegilda.
Noites de espanto e de ressaca em quartos alugados, ouvindo ressoamentos de amor desesperado do outro lado do septo.
Noites em que snifas cocana em um espelho, para acalmar a compulsão e o desejo
excessiva da vida.
Noites em que você chora em banheiros sem janelas ou azulejos.
Noites de chamadas angustiadas para casas vacas onde o toque de um telefone
reivindique a presença de outro corpo com o qual compartilhar sua cobarda.
Noites falando do sarcoma de Kaposi com sua sombra, em um caf vaco,
às três da maana, enquanto um garçom de um olho varre as pontas e boceja.
Noites em que Deus ou o fantasma redivivo de alguém entraable est do outro lado
da mesa, e pede-te um cigarro, e recita-te um Monlogo de Shakespeare.
Noites de sequa e vinagre em que você agoniza no penltimo vagn de um trem a dois quilômetros de Almansa.
Noites em que a pele queima você como Tinder nas mãos de um pirmano.
Noites em hotéis de Pars, espiando no olho mágico a mulher da limpeza,
que esfrega o chão do corredor e cantarola uma canção de Alain Barrire ao lado de sua porta.
Noites em que a brisa se remansa nas cortinas como um ptalo cansado e percorre as prateleiras procurando uma edicin de o estrangeiro.
Noites em que todas as luzes da rua se fundiram e alguém se despe lentamente
atrás de uma janela iluminada no andar vinte e três de um arranha-céu.
Noites em que você traça rabiscos em guardanapos de papel com uma garrafa de Gin, enquanto Lou Reed canta "Eu quero ser preto" e você diz a ele também.
Noites em que você enfia os joelhos no chão e soluça por Pilatos
sentenciando Jesus Cristo em esperanto.
Noites em que desfolhas rosas mortas junto a um lago em Aranjuez.
Noites de mulheres cujos olhos iluminam a penumbra de bares como smiles que
Raymond Chandler teria colocado em quarentena.
Noites em que uma misericórdia herrica te sobrecoge a garganta,
e gostarias de enxugar as lágrimas a uma virgem do Greco.
E então naquela noite em que uma ladra vai entrar em sua casa para apertar uma moeda
no teu puo que se fecha.